3 cuidados básicos para evitar pragas na sua horta

Uma planta saudável e bem adubada não permite que focos de pragas se alastrem rapidamente pela horta, então é importante tomar alguns cuidados básicos pra prevenir infestações e intervir só quando houver necessidade, com controle manual.

1-      Nunca deixar as raízes da planta exposta

A raiz é o ponto mais sensível da planta. Quando fica fora da terra e exposta ao sol, pode adoecer sua planta e abrir espaço pra uma infestação de insetos. Mantenha as raízes sempre bem enterradas, principalmente depois da adubação, quando a planta começa a crescer.

Como fazer horta mobilizou os alunos de uma escola estadual
Paola Carosella sobre ter uma horta no jardim: “A vida está aqui. Latejando. Forte”

 

2-      Mantenha a terra sempre fofa

Uma terra muito compacta sufoca e enfraquece a planta, principalmente quando ainda é uma muda, o que pode ocasionar um foco de praga.  Algumas ferramentas facilitam o trabalho. É importante não abalar a raiz na hora de afofar a terra, então tenha cuidado e revire apenas em torno da planta.

3-      Nunca deixe sua planta seca

 

A melhor vacina pra sua horta é interagir com ela. A terra jamais deve ficar seca, mesmo que em períodos separados. Além de enfraquecer a planta, também prejudica a produção de alimento, levando a perdas. É preciso ter esse tipo de dedicação pra colher alimentos saudáveis.

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Como o Brasil tornou-se líder mundial no consumo de agrotóxicos

Que os morangos da feira – sim, aqueles bem vermelhinhos e carnudos –, são suculentos ninguém pode negar, mas é importante entendermos que a fruta, ou até mesmo um maço charmoso daquele espinafre verde-escuro que tanto procuramos para nossas deliciosas receitas, podem conter, além de nutrientes, doses altíssimas de resíduos químicos.

É inadmissível a ideia de que, mesmo depois de uma proibição existente há anos, ainda consumamos verduras, legumes e frutas que cresceram sob muitas borrifadas de pesticidas. Por essa razão, a quantidade de agrotóxicos consumidos no Brasil é tão alarmante que assumimos, desde 2008, a liderança do consumo mundial – e mesmo que a Anvisa tenha tomado a frente para reavaliar 14 pesticidas que podem apresentar danos à saúde, esses estudos, infelizmente, não foram concluídos.

Essa demora para desenvolver pesquisas e conclusões sobre os malefícios dos pesticidas está diretamente ligada aos incentivos fiscais. O governo brasileiro, por exemplo, exonera os impostos dessas substâncias, concedendo 60% do ICMS (imposto relativo à circulação de mercadorias), isenção total do PIS/COFINS (contribuições para a Seguridade Social) e do IPI (imposto sobre Produtos Industrializados). Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, João Eloi Olenike, o que resta de imposto sobre os agrotóxicos é apenas 22% do valor do produto.

Por que evito o termo “orgânico” pra alimentos sem agrotóxicos

Entenda os caminhos para ter uma certificação orgânica

Desde 2008 – ano que assumimos a liderança mundial de consumo de agrotóxicos, seis dos 14 pesticidas reavaliados foram banidos e dois deles foram autorizados a permanecer no mercado, com algumas restrições. Ainda falta a reavaliação de seis substâncias, como o carbofurano e o glifosato, usado para proteger leveduras de milho e pasto, e que em 2015 foi considerado cancerígeno pela OMS – Organização Mundial da Saúde.

Ainda que a demora seja revoltante, as reavaliações dos agrotóxicos são um passo importantíssimo para o debate do consumo dessas substâncias no Brasil e, principalmente, para uma tomada de consciência. A consulta pública que a Anvisa propõe também é de suma importância para que os especialistas envolvidos obtenham conhecimento do que a população pensa – o que pode ajudar na  decisão final – a proibição.

O professor de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Pignati, acredita que a lentidão desse processo de reavaliação das substâncias químicas ocorre devido à forte pressão de setores interessados na comercialização dessas substâncias. Numa entrevista dada ao El País, o professor chegou a comentar que as empresas querem fazer acordo para que essas substâncias continuem sendo utilizadas, mas que esse tipo de acordo deveria ser banido e jamais avaliado como uma boa solução.

O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Olenike, também disse em entrevista ao El País que os agrotóxicos não deveriam ser isentos, mas terem altos tributos.   “Existe uma coisa chamada extrafiscalidade, que significa que, além da arrecadação, o tributo tem também uma função social. Por isso, tributa-se muito a bebida alcoólica e o cigarro: para desestimular seu consumo”.

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Paola Carosella sobre ter uma horta no jardim: “A vida está aqui. Latejando. Forte”

A cozinheira Paola Carosella publicou nas redes sociais um vídeo da sua horta no jardim com uma linda mensagem: “Quando sinto que estou perdendo a fé e a paciência, abro a porta de casa e o meu jardim com chuva me lembra que a vida está aqui. Latejando. Forte”.

 

Para um agricultor não poderia existir mensagem mais motivadora. Tive a oportunidade de trabalhar neste jardim e desenhar, ponto a ponto, os canteiros e vasos que agora trazem fé e renovam as energias de alguém. O empenho que coloquei em cada muda ou semente plantada e no preparo da terra, reconhecido por uma grande cozinheira.

“Eu acredito nos ingredientes: frescos, de boa procedência, naturais, bem criados, simples, nobres (é melhor pouco de algo muito bom, que muito de algo mais ou menos). Numa mão suave e delicada, mas firme e bem intencionada. No respeito: pelo ingrediente, pelo colega, pelo fogo, pelo cliente, pelo agricultor, pelo pescador, pelo lixeiro, pela natureza”, ressalta a chef de cozinha em sua biografia.

• Por que larguei minha profissão e fui pra roça plantar

• 3 princípios básicos pra ter uma horta urbana produtiva

Temos aqui, definitivamente, uma forte conexão entre agricultura e a gastronomia. Não há como produzir ingredientes frescos e de boa procedência, sem uma mão suave e delicada. Sem ter respeito pela natureza, pelos colegas, pelo cozinheiro e lixeiro, fica impossível. São trabalhos que exigem firmeza e boas intenções, tanto cozinhar quanto plantar. As palavras da chef Paola Carosella são como lições.

Meu trabalho segue como inspiração para cozinheiros, assim como a gastronomia se torna um horizonte e uma razão pra continuar plantando. As pessoas, aos poucos, entendem esse forte laço e a importância de ingredientes frescos, naturais e bem-criados. Passarão a procurar vida no jardim, forte e latejante.

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Como fazer horta mobilizou os alunos de uma escola estadual

Em cerca de uma semana os alunos já tinham arrecadado recursos o suficiente pra comprar todas ferramentas (enxadas, enxadões, cavadeiras, regadores) e mudas, conforme indicado, tudo por meio de vaquinhas com professores e pais. Estavam prontos pra transformar o gramado improdutivo de uma escola da periferia de Atibaia (SP) em uma horta de verduras feita e cuidada por eles mesmos.

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Além do empenho pra conseguir os recursos, foi surpreendente ver adolescentes do ensino médio arrancando o gramado e picotando a terra pra levantar canteiros, atividade que exige muito esforço físico. As meninas participavam ativamente também. Depois de algumas aulas de enxada, os canteiros já estavam prontos. Eles pareciam se divertir muito e os professores também.

Para cuidar da horta, revezavam uma escala de rega, inclusive durante os finais de semana. Não menos importante, mantinham uma composteira com os restos da merenda no terreno atrás da escola, que também molhavam e reviravam pontualmente pra conseguir substrato pra horta.

Seguiram cuidando da horta até a colheita. Parte dos alimentos foi pra foi incorporado à merenda. Verduras e temperos frescos. Outra parte, venderam pra conseguir recursos pra continuar com a horta e pro grêmio escolar. Se pudesse, tomaria alguns deles como aprendiz pra tocar todas hortas.  A molecada era boa mesmo naquilo.

Com tão bons resultados, agora a intenção é trazer esse trabalho pra São Paulo. Com certeza vai ser um desafio, mas o trabalho é recompensante. Estou à disposição pra conversar com professores e coordenadores pedagógicos pra retomar esse projeto.

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Entenda os caminhos para ter uma certificação orgânica

Por Felipe Macedo Guimarães (Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em resposta ao texto Por que evito o termo “orgânicos” pra alimentos sem agrotóxicos:

 

Realmente a certificação convencional é processo caro e muitas vezes burocrático. Porém, a legislação brasileira prevê três diferentes maneiras de garantir a qualidade orgânica dos seus produtos: a Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o Controle Social para a Venda Direta sem Certificação.

Além dá forma convencional já mencionada na reportagem, existe a certificação através dos Organização de Controle Social – OCS onde um grupo de produtores cadastrados e fiscalizados pelo Ministério da Agricultura recebem um certificado para comercializar sua produção como orgânico, neste caso a comercialização só pode ser feita diretamente aos consumidores finais (Como nas feiras livre, feiras agroecológicas).

A outra forma são através dos Sistemas Participativos de Garantia – SPGs, onde devem ser reunidos produtores e outras pessoas interessadas para assim organizar a sua estrutura básica, que é composta pelos Membros do Sistema e pelo Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade – OPAC.

Os OPACs correspondem às certificadoras no Sistema de Certificação por Auditoria e são eles que avaliam, verificam e atestam, através de selo, que os produtos ou estabelecimentos produtores ou comerciais atendem as exigências do regulamento da produção orgânica. Estas ultimas são ferramentas para a certificação que diminuem os custos e empoderam os produtores.

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Por Léo Lopes (Consultor em Agricultura Orgânica) em resposta ao texto Por que evito o termo “orgânicos” pra alimentos sem agrotóxicos:

 

O sistema de produção orgânico segue uma legislação séria (Lei 10.831 sobre agricultura orgânica) e através da certificação o consumidor poder ter a garantia de qualidade do produto. A lei restringe o uso de vários insumos sintéticos e químicos e a certificação assegura a procedência desses alimentos.

Existem os sistemas participativos de garantia (SPG) que não são onerosos como o texto sugere. Esse é um caminho para quem segue este sistema de produção. É óbvio que muitos agricultores praticam uma Agricultura “natural”, mas quando falamos de orgânicos é pautado em legislação própria.

Em relação aos preços, de acordo com o que é preconizado pela agroecologia (que fornece princípios que iluminam os sistemas orgânicos) pode-se e deve-se fortalecer os circuitos curtos de comercialização ( feiras locais), onde os preços além de mais justos propiciam a interação mais estreita entre produtor e consumidor, numa aprendizagem importante.

As certificadoras podem até cobrar valores mais caros, mas é importante salientar outras formas de avaliação da qualidade, inclusive sem o selo do Sisorg, bastando o vínculo dos agricultores a uma organização de controle social (OCS). Talvez concorde apenas com o ponto em que diz, com outras palavras, sobre a necessidade dos que produzem alimentos saudáveis ( agroecológicos ou orgânicos) de detalhar os insumos usados na produção, etc. ao MAPA, ao passo que a agricultura agroquímica não precisa demonstrar/listar/apresentar/certificar sobre a os insumos utilizados na produção, configurando- se numa inversão de valores éticos.

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Por que evito o termo “orgânico” pra alimentos sem agrotóxicos

Meus problemas com o termo “orgânico” vieram quando minha primeira horta começou a produzir e passei a vender alimentos sem agrotóxicos numa vendinha. Mesmo sem usar a palavra, recebi visitas de um agente de certificação. Não é pra menos, as multas por vender produtos “orgânicos” sem selo podem chegar a R$ 1 milhão.

O processo de certificação de uma produção é caro e muito demorado. Os gastos podem chegar a R$ 3 mil durante o longo e burocrático processo que dura no mínimo um ano, além das constantes renovações – o que não se justifica já que essas pessoas são profissionais e devem ter facilidade em identificar alimentos contaminados com veneno. O resultado desse sufoco é o altíssimo preço que os produtos “orgânicos” chegam aos supermercados e vendas

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Evito o termo não só pra não correr o risco de ser multado, mas também porque não quero aderir ao selo em minhas hortas. A alimentação de qualidade deve ser um direito de todos, não um privilégio. Infelizmente o selo e o certificado tornam os alimentos inacessíveis, como se deixar de comer veneno fosse um privilégio. É aí que o “orgânico” deixa de ser alimento pra tornar-se uma marca.

Pra fugir dos preços “orgânicos”, a melhor opção é buscar pequenos produtores na região. Em grandes centros urbanos, hortas comunitárias são cada vez mais comuns em bairros periféricos e costumam oferecer muitas opções de alimentos sem agrotóxicos por um preço acessível. Outra opção, claro, é ter sua própria produção.

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Por que todo empreendedor deveria ter uma horta

Por Gustavo Tanaka*

Eu comecei a empreender em 2008.

De lá para cá foram 4 empresas formais abertas e mais de 10 projetos iniciados. Alguns foram ficando pelo caminho e outros tinham começo e fim definido e alguns ainda estão em andamento.

Eu estudei administração de empresas na USP e não fui preparado para empreender. Não tive uma matéria sequer de empreendedorismo na faculdade

Meu aprendizado tem sido na raça. Nos tropeços, no esforço, no sofrimento, nas noites não dormidas, nas cabeçadas, nas incontáveis vezes em que tive dúvidas e não fazia ideia do que estava fazendo. Já perdi muito dinheiro.

Mas também vivi muitas coisas incríveis. Já tive empresa que faturou 7 dígitos, já recebi muitos presentes do universo. Contatos, contratos e oportunidades que jamais imaginei que poderiam acontecer. Empreendendo negócios e empreendendo minha própria vida.

Eu fiz da minha vida um laboratório. Fiz da minha vida um campo de experimentação.

Meu objetivo é descobrir o que é viver de verdade. Quais são minhas possibilidades, o que posso fazer, e até onde dá pra chegar?

Como faço para lidar com meus medos, meus sofrimentos e meus desejos?

E nessa jornada eu encontrei a melhor escola de empreendedorismo que existe: A natureza.

Desde que comecei a me envolver mais com a natureza, observar mais e, especialmente cuidar da minha horta, tenho aprendido coisas que nenhuma escola formal de empreendedorismo ensina. Tenho tido insights que me ajudam a conduzir minhas atividades profissionais e experimentar uma nova forma de fazer negócios.

E hoje eu penso que todo empreendedor deveria ter sua própria horta.

Compartilho aqui alguns dos insights.

1 – O tempo das coisas

Quando criamos nossa empresa, temos pressa. Queremos ver resultado rápido, queremos colher os frutos o quanto antes.

Quando se planta alguma coisa, você respeita o tempo daquilo que você plantou. Não é o seu tempo. Não é quando você quer. É no tempo da natureza. No tempo que tiver que ser.

A colheita nunca vem antes da hora. Nenhuma hortaliça cresce antes do seu tempo.

Hoje buscamos aceleradoras para crescer mais rápido. Mas será que precisamos crescer mais rápido? Será que acelerar o crescimento não tira aprendizados que o tempo traria?

2 – Curtir o processo e não na colheita.

Quando se cuida de uma horta, você aprende a gostar de cuidar da horta. Simples assim. Eu não planto para colher. A colheita é apenas uma das etapas.

É gostoso cuidar da terra. É gostoso semear. É gostoso fazer a manutenção, tirar erva daninha, podar, replantar, mudar de lugar. E é gostoso colher.

O processo é especial e delicioso de ser vivido. A colheita é apenas uma das etapas.

Quando empreendemos, temos que aprender a curtir o processo. Se ficamos apenas apegados ao resultado, à colheita, o processo fica chato. Porque às vezes a colheita demora.

3- Aprender sobre o tempo de colheita

Quanto tempo seu projeto vai levar para trazer resultados financeiros?

Qual o tamanho do seu sonho?

Fala-se muito hoje que sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho, então melhor sonhar grande mesmo.

Mas o que eu vejo muito é que empreendedores se lançam em sonhos grandes e não conseguem se sustentar até que esse sonho grande dê retorno.

E aí o que acontece é uma busca desesperada por um investidor que coloque uma grana pra poder manter o sonho vivo.

Eu já quebrei e perdi todo meu dinheiro exatamente por isso.

Queria um sonho grande. Uma startup que impactasse milhões de pessoas em um modelo de negócios extremamente complexo. Obviamente que demorou mais tempo para virar do que eu tinha capacidade de sustentar financeiramente.

Na minha horta eu sei que tem coisas que plantei que vão demorar anos para poder colher. Plantei árvores frutíferas que vão demorar mais de 5 anos.

Essa semana fiz uma colheita de mandioca que plantamos 1 ano atrás.

Se eu plantasse somente mandioca na minha horta e dependesse dela pra me sustentar, eu morreria de fome, porque não aguentaria um ano.

O que eu faço então?

Planto hortaliças de ciclo curto, como alface e rúcula que posso colher em uns 40 dias, beringela que posso colher em 3 meses e assim por diante.

Quais são os projetos da sua empresa que trazem a colheita rápida?

Não precisa ser aquilo que você quer fazer pelo resto da vida e nem o sonho grande. Mas algo que traga a colheita para você conseguir se alimentar.

Nos sistemas de agroflorestas faz-se um consórcio, plantando no mesmo espaço hortaliças de ciclo curto, legumes de extrato médio e e árvores frutíferas e nativas (sonho grande).

Como está o seu consórcio na sua empresa?

4 – O ciclo da natureza

No outono as folhas caem.

No inverno tem geada.

Você não pode exigir da sua horta de performar o ano inteiro. Nem se você der 30 dias de descanso.

Mas na empresa, fazemos isso. Queremos render o tempo inteiro. Ter alta performance todos os dias.

Mas tem dias em que não conseguimos trabalhar direito. Tem dias que estamos mais introspectivos. Tem dias que temos menos energia. Tem dias que precisamos de mais descanso e de mais sono.

Como respeitar esses ciclos numa empresa? Esse é um desafio interessante. Acho que é hora de experimentarmos novas rotinas do que o segunda à sexta das 9h às 17hs + 30 dias de férias.

Alguém inventou essa rotina. E acho que podemos buscar uma nova.

5 – Sua plantação tem ciclos

Tudo que eu planto tem um ciclo. As árvores tem ciclos bem mais longos (às vezes mais longos que nossa própria vida). Mas tem hortaliças e legumes que tem ciclos mais curtos.

Quando eu colho aquela rúcula que demorou 40 dias para nascer, eu abro espaço para plantar algo novo. As raízes e e folhas ajudaram a melhorar a qualidade do solo e o preprararam para o que vem a seguir.

O mesmo acontece com pessoas.

Existem pessoas que vão entrar para o seu negócio apenas para ajudar a começar. Elas têm um ciclo curto. E chega uma hora que elas precisam ir embora e seguir suas vidas.

Mas temos apego. Queremos que fiquem para sempre. E muitas relaçãoes terminam em briga por participação, dinheiro, tempo de dedicação. Mas na verdade o que está em jogo é que não entendemos o ciclo da vida e criamos condições que travam esse fluxo.

Não sabemos lidar com o ciclo de pessoas também. Ao invés de sentirmos gratidão por quem contribuiu, mesmo que por algumas semanas, ficamos ressentidos porque foram embora. É como seu eu ficasse puto com a minha rúcula que foi embora…

6 – Aprender a observar

Antes de empreender, temos uma visão, fazemos nosso planejamento, montamos o business plan, as projeções de crescimento. Mas o que acontece é que na prática nunca sai como imaginamos.

O que aprendi com meus tropeços foi aprender a observar.

Fala-se muito hoje em criar um MVP (mínimo produto viável) para testar a ideia e falhar rápido.

Para mim, o que precisamos é aprender a observar. Quando você aprende a observar, você não quer que as coisas sejam do seu jeito. Você apenas oberva o que está acontecendo.

Outro dia semeei umas cenouras. Eu fiquei observando e vi que não estavam nascendo. Depois de algumas semanas tive a certeza de que não vingaram.

Talvez tenham sido as sementes que não eram boas. Talvez seja a terra que nao estava legal ali.

E a partir dessa observação eu mexi na terra e plantei coisas novas.

A observação traz um estado de presença, um estado onde a mente fala menos e damos espaço para perceber a realidade sutil das coisas.

7 – Sentir a abundância

A natureza sempre dá muito mais do que eu consigo comer.

Meu pé de caqui da absurdamente muito caqui. Toda árvore frutífera da muito mais que qualquer pessoa consegue consumir.

Eu posso compartilhar. Não preciso ficar guardando e estocando. Porque eu sei que no próximo ciclo vem mais.

Eu compartilho com a natureza, com os pássaros e insetos e compartilho com meus amigos, familiares e vizinhos.

Qualquer fruta tem muitas sementes. E cada semente dá um novo pé que dá muitas frutas.

É infinito e exponencial.

Você compartilha os frutos que sua empresa dá? Como você se relaciona com quem está em volta de você?

Você pode compartilhar e doar as sementes dos frutos que você colhe. Você pode compartilhar os aprendizados, abrir os processos, dividir as boas práticas.

Não precisamos viver na escassez achando que vai faltar mês que vem.

Eu já vou me preparando para colher as minhas beringelas… 🙂

*Reproduzido na íntegra via LinkedIn

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